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Geral - 20/10/2021
Gangues ganham até US$ 281 bilhões por ano com crimes ambientais

Infrações florestais, mineração ilegal e tráfico de resíduos representam dois terços dos valores estimados

Por Assis Moreira, Valor — Genebra
Os crimes ambientais estão entre os que mais geram lucros no mundo, proporcionando ganhos variando de US$ 110 bilhões a US$ 281 bilhões por ano a gangues criminosas, boa parte na América do Sul e Central, segundo relatório examinado na reunião do G20 em Washington na semana passada.

O relatório foi preparado pelo Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo (GAFI/FATF), e as estimativas de lucros dos criminosos são da Interpol. As três áreas de foco - crime florestal, mineração ilegal e tráfico de resíduos - representam 66%, ou dois terços dos valores estimados.
O GAFI destaca que os crimes ambientais têm impactos muito além do custo financeiro, atingindo saúde e segurança pública, segurança humana e desenvolvimento social e econômico. Também alimenta a corrupção, e converge com outros crimes graves, como o tráfico de drogas e o trabalho forçado.
A primeira categoria, de crimes florestais (incluindo o corte ilegal de arvores e o desmatamento ilegal de terras) e o mais significativo em valor, gerando ganhos de US$ 51 bilhões a US$ 152 bilhões por ano. (...)
Baseado em respostas dos países ao estudo, o GAFI conclui que esse tipo de crimes está mais concentrado nas florestas tropicais na América do Sul (Brasil, Peru, Colômbia e Equador) e Central, na África, no sudeste da Asia e em partes do leste da Europa.

A madeira ilegal e transportada dessas regiões para destinações no Leste Asiático, América do Norte e Europa Ocidental.

O relatório menciona a Operação Arquimedes, no Brasil, que resultou na apreensão de 80 mil metros cúbicos de madeira ilegal em portos de Manaus. Diz que uma investigação paralela resultou na identificação e congelamento de US$ 10 milhões de contas de empresas cumplices. (...)

 Quanto ao crime ambiental envolvendo resíduos, gera entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões anualmente, no mínimo. Quadrilhas particularmente bem organizadas operam no comercio ilegal de lixo perigoso, incluindo lixo eletrônico contendo cadmio ou chumbo, compostos de arsênico ou amianto, ou resíduos de processos na indústria química. (...)

Para o GAFI, as ações governamentais para detectar e interromper os fluxos financeiros provenientes de crimes ambientais não tem sido proporcionais a dimensão do problema. A entidade exemplifica que, apesar dos significativos lucros envolvidos, o foco em crimes ambientais em avaliações de risco e investigações financeiras relevantes tem sido limitado até hoje.

Em resposta a uma pesquisa do GAFI, menos da metade dos países respondentes (20) havia considerado crimes ambientais em suas avaliações de risco de lavagem de dinheiro nacional ou setorial. A maioria dos países criminaliza alguns aspectos de crimes ambientais, através de crimes específicos (por exemplo, colheita ilegal de toras) ou através de crimes ambientais mais gerais (por exemplo, exploração ilegal de recursos naturais), mas a legislação e regulamentação são frequentemente redigidas de forma restrita e podem excluir elementos transnacionais desses crimes (por exemplo, transporte e processamento transfronteiriço).

Em Washington, os ministros de Finanças do G20, reunindo as maiores economias desenvolvidas e emergentes, confirmaram apoio "para reforçar recomendações do GAFI
na luta contra lavagem de dinheiro provenientes de crimes ambientais".

fonte: Jornal Valor Econômico
leia a matéria integral em: https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/10/19/gangues-ganham-ate-us-281-bilhoes-por-ano-com-crimes-ambientais.ghtml
 

 

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